Fevereiro, oficina e literatura

No mês de fevereiro, ministrei quatro encontros sobre criação de personagens literárias, no Espaço Atma [Rua Gonçalves Dias, 311, Porto Alegre]. Nos quatro encontros, houve debates, exemplos, referências e muita prática de escrita. Além de conhecer pessoas novas e falar sobre algo que é a minha vida [sem exagero], percebi, durante o processo, o quanto é importante conversar sobre escrita com outras pessoas. A coluna deste mês é sobre isso. Olá.


Assim que o ano de 2019 chegou a nós, li dois livros sobre a escrita de histórias – Story: substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de roteiro, de Robert McKee; e La anatomía del guión: el arte de narrar en 22 pasos, de John Truby. As duas obras, entre outras, são consideradas essenciais para roteiristas e escritores em geral. O foco é o roteiro, mas respinga [e muito] na escrita literária.


Informações novas. Conceitos novos. Técnicas e mais técnicas de escrita. Fui para a prática. Escrevi algumas narrativas breves. Pesquisei estruturas narrativas: convencionais, experimentais, não-narrativas, enfim. Até que surgiu o convite e a oportunidade de montar uma oficina de verão sobre literatura. Sobre criação de personagens. E eu criando personagens como se não houvesse amanhã e criando narrativas. Era o momento.


E foi.


Após reler alguns textos importantes sobre a escrita literária e criação de personagens [abraços para David Lodge, Antonio Candido, Aristóteles, James Woods], estruturar os encontros, sentir o frio na barriga, divulgar a oficina: aconteceu.


Primeiro encontro: falei sobre a importância da construção do personagem e a relação com a narrativa e citei exemplos e praticamos. Segundo encontro: falamos sobre a experiência em criar personagens e praticamos mais ainda [criamos mais personagens no mesmo mundo que os personagens do primeiro encontro]. Terceiro encontro: falei sobre protagonista e antagonista e técnicas de criação tanto de um como de outro e mais prática. Quarto encontro: passei dicas de criação de premissa, diálogos, criação de mundo, tempos verbais e tangenciei a estrutura de narrativa.


Foi maravilhoso.


Desde já agradeço às pessoas que foram me ouvir e confiaram nas minhas falas e dicas. E agradeço mais ainda pela oportunidade em conhecer pessoas que também têm interesse em leitura e escrita, e, principalmente, em escrita literária. Foi uma troca incrível de experiências e mais incrível ainda conversar sobre a prática de escrita. Conversar com outros escritores traz benefícios formidáveis para quem escreve: as ideias que surgem, as críticas sobre a escrita, e a ótima sensação de que não estamos sozinhos neste mundo. Não estamos tão isolados na vontade em criar arte e contar histórias. Ainda que possamos acompanhar nossos escritores/escritoras prediletos pelas redes sociais, conversar com quem escreve textos literários parece um impulso para não desanimar e continuar criando seres fictícios e histórias que possam emocionar nossos leitores.


Se tu escreves e tens a oportunidade de conversar com algum escritor/escritora, não perca a chance. Tu e o/a artista só têm a ganhar.


Minha gratidão para a galera que compareceu nos encontros e gratidão especial para a Paula Bastos, dona do Espaço Atma, que me fez o convite e me cedeu o espaço e me deu todo o suporte para que a oficina se realizasse com tranquilidade.


E obrigado a ti, que me lês.


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Cristiano Vaniel é professor de Literatura, escritor, vive em Twin Peaks, fuma Red Apple e é embalado por synthwave.

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