Manhã de sol

Sol da manhã que invade a sala

Que toca de leve os móveis em frente à janela

Ilumina uma parte da estante de livros

Partículas de poeira voam na luz dourada


Silêncio na rua

O único barulho é o da máquina de lavar

Passarinhos ao longe

Férias

Água morna de mate

Livro

Cão

Solidão


Já tenho almoço pronto, constato

Excitação

A mesma da criança que brinca de esconder

Onde tu mora?

Rua 21, número 623, Cassino

Ah, desculpa, Eurico Bianchini, 623, Cassino


Sirvo um mate sentada na cadeira de praia

de lona preta

Como é boa essa cadeira

Estendo a rede, mas não deito

É só pra olhar pra ela

Sylvia Plath


Aos poucos vou relaxando e entro num estado de alheamento

Só eu e Eu

Olhos fechados agora

Fones de ouvido em silêncio


Sinto que estou preparada para a novidade

Tudo o que pensei, vivi, fiz e sou me preparou

para o que está por vir

Estou forte, sou forte

Estou viva

Sou eu

Sempre eu

Sozinha

E tudo bem



Grace Borges. Rio-grandina de presença e alma. Devoradora de palavras, arrisca alguns poemas quando lhe dói, uns contos quando com raiva e crônicas quando a cabeça está cheia. Formada em História Bacharelado e Licenciatura, promete que não é doida. Professora de escola pública. Possui praticamente uma única rede social, o Instagram, onde publica algumas fotos, suas leituras e seus textos desde 2016.

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