Rebobina 2018! Lista dos 20 melhores lidos esse ano.

Atualizado: 12 de Jan de 2019

Antonio Candido, um dos nomes mais importantes quando se pensa a crítica literária no Brasil, possui um texto chamado “O direito à literatura”. Nele, o autor defende que a arte e a literatura também devem entrar no hall de necessidades básicas do ser humano, para TODOS (para evitar a frase “direitos humanos só existe para bandido”).

Isso porque a literatura é produzida por humanos e para humanos, porque pode cumprir um papel fundamental na formação da personalidade, porque coloca o homem em estado de reflexão. Sendo bem sucinta: a literatura, dentre tantas coisas, desenvolve em nós a capacidade de sentir empatia (não garante 100% que isso vá acontecer, mas já é um começo).


Todo mundo deveria ler? Como leitora apaixonada, minha resposta é sim. Porém, compreendo a mudança dos tempos e como a nossa relação com a arte mudou. Hoje podemos visitar um museu usando apenas a Internet; caminhar pelas ruas e observar os grafites embelezando a cidade. A própria pichação é uma manifestação artística, porque invade o espaço urbano e toma uma voz, em geral negada no cotidiano.


Ainda, a leitura no Brasil é algo complicado, envolve educação, custo dos livros, acesso a bibliotecas. Como garantir a leitura se, muitas vezes, não há comida nem saneamento básico?


No entanto, a leitura coloca a gente em estado de participação. A gente tem que se conectar com a página, sair de si e entrar nos personagens, no eu-lírico do poema, ou então ser ou não ser Hamlet. É fascinante!


Já que esse vai ser meu último post de 2018, – e eu AMO uma listinha – resolvi me colocar na tarefa (mais do que difícil) de selecionar 20 dos livros mais significativos para mim esse ano... vamos lá!


1. A verdadeira história do alfabeto, Noemi Jaffe


2. O caminho de casa, Yaa Giasi


3. O alforje, Bahíyyih Nakhjavání


4. A trilogia de Nova York, Paul Auster


5. Só garotos, Patti Smith


6. Um amor feliz, Wislawa Szymborska


7. Da poesia, Hilda Hilst


8. Coral e outros poemas, Sophia de Melo Breyner Andresen


9. O remorso de Baltazar Serapião, Valter Hugo Mãe


10. O paraíso são os outros, Valter Hugo Mãe


11. Grande sertão: veredas, José Guimarães Rosa


12. Quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus


13. A promessa & A pane, Friedrich Dürrenmatt


14. As últimas testemunhas, Svetlana Aleksiévitch


15. Dom Quixote, Miguel de Cervantes


16. Holocausto brasileiro, Daniela Arbex


17. Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, Maya Angelou


18. A liberdade é uma luta constante, Angela Davis


19. K., Bernardo Kucinski


20. Ensaio sobre a cegueira, José Saramago


Para ler as mini resenhas sobre cada um, clique aqui. Esse é o link do meu Reading Challenge 2018.


Para as menções honrosas, deixei as releituras. Isso é uma coisa importante para mim: sempre reler algum livro. O de praxe é o Se um viajante numa noite de inverno, do Italo Calvino. Todo leitor apaixonado deveria mergulhar nessa história pelo menos uma vez (tô relendo ele desde 2011 e a emoção continua a mesma). Além desse, reli Poemas escolhidos, do Mia Couto e Um negócio fracassado e outros contos de humor, do Tchékhov.


Enquanto escrevo esse texto, estão ali na cabeceira, em progresso, O coração é um caçador solitário (essa lindeza de título, mano!), da Carson McCullers e O humano do mundo, da Débora Noal. Até o momento, estou adorando os dois, ainda que sejam muito diferentes (o da Débora é um relato de suas missões no Médicos Sem Fronteiras). A McCullers provavelmente entraria nessa minha lista dos melhores. Só para ter uma ideia, ela me faz lembrar das narrativas do John Steinbeck, ela cria umas imagens que ó!


É hora de me despedir. Não há nada que me faça ser positiva diante do caos que já está instaurado nesse país. Só me resta desejar força para todos aqueles que estão enxergando (ou estamos todos cegos?) o quanto esse período é, como dizia Drummond, de “fezes e de maus poemas, alucinações e espera”, isso, no “mundo real”, significa perda de direitos, aumento da violência, da fome, das injustiças. Vamos sobreviver ao culto à burrice? Vamos sobreviver ao terraplanismo? Vamos suportar esse pessoal questionando a GRAVIDADE?


Puxei a cordinha de 2018, adeus.



Suellen Rubira é doutora em Letras – História da Literatura pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Ama livros e música e fotos de animaizinhos fofos.

97 visualizações